PF investiga duas pontes “fantasmas” no Belo Monte

Mister “E” surge como principal suspeito de desvio de verba pública e pode ser enquadrado também por improbidade administrativa
ANDRADINA – Nem o Mister “M”, um dos maiores ilusionistas do mundo - capaz de desvendar todos os segredos dos mágicos - terá capacidade para descobrir onde foi parar a maior parte dos recursos destinada à construção de duas pontes no Assentamento Belo Monte. As obras – na gestão do ex-prefeito Ernesto Antônio da Silva - simplesmente não foram executadas e a grana sumiu.
Mas a Procuradoria Geral da União [PGU], o Ministério Público Federal e a Polícia Federal estão investigando as pontes “fantasmas”, respectivamente sobre os córregos Sossego e Campestre. Ambas já foram vistoriadas por técnicos da Polícia Federal, a pedido da Assessoria Jurídica da Prefeitura do Município.
Na primeira delas, sobre o córrego Sossego, segundo análise da PF, foram usados menos de R$ 22 mil do montante de R$ 76.933,14 destinado à construção da obra que deveria ter dez metros de extensão. Apenas as cabeceiras foram erguidas e a estrutura metálica enferruja num pasto à beira da estrada.
Outros R$ 82.668,00 de uma parceria firmada pela Prefeitura e o Governo Federal deveriam ter sido usados na instalação da ponte de 24 metros de extensão sobre o córrego Campestre, mas foram gastos, pelas avaliações da PF, cerca de R$ 54 mil.
De acordo com planilhas dos técnicos, nas duas situações a empresa VL Construtora Ltda., de Tapiratiba – escolhida por licitação pela Prefeitura – usou material adverso ao estabelecido no plano de trabalho.
O mais grave disso tudo é que o engenheiro encarregado pelo Departamento de Obras Públicas do Município atestou o recebimento definitivo das pontes em 12 de dezembro de 2008.
Além disso, a PF investiga os gastos na Festa do Rei do Gado [no apagar da luzes da gestão Ernesto Silva]; as reformas do salão da Coapar, da UBS e do postinho do Assentamento Timboré, todos executados de forma adversa aos projetos.
Segundo a Assessoria Jurídica do Governo Municipal, ao final das investigações em andamento, o ex-prefeito pode ser enquadrado por crime de improbidade administrativa, na esfera civil, e desvio de verba pública, na criminal.
DESCASO
Para os assentados Eduardo Brunelli, Sueli Alves Silva e Joana Aparecida Rocha, do Belo Monte, as obras inacabadas mostram descaso do ex-prefeito e falta de respeito para com as famílias, especialmente as crianças que precisam estudar e em períodos de chuvas precisam atravessar os córregos para pegar ônibus escolares.
Parte tem de atravessar os córregos a pé, quando não há disponibilidade de trator para isso. “Alguns veículos já caíram às margens e na taboa nas imediações, segundo os assentados. A ausência das pontes força vários trabalhadores e efetuar um desvio de quase 6 km para chegar à Rodovia da Integração, principal ligação com o assentamento.
No córrego Sossego existem apenas as cabeceiras das pontes.
Redação - 04/05/2011 - 13:39:51
Fonte Jornal Impacto on line